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REC PRODUTORES, IMOVISION, FUNCULTURA/GOVERNO DE PERNAMBUCO, CHESF E PETROBRAS APRESENTAM

Tatuagem o Filme

UM FILME DE HILTON LACERDA

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Storyline

Ao iniciar o esgotamento político do golpe militar no Brasil (1978) acompanhamos o romance entre um soldado de dezoito anos e um agitador cultural, dono de um cabaré anarquista. Confrontos e reflexões de uma geração analisados a partir da periferia. A exceção pautando a visão da regra.

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Sinopse

Brasil, 1978. A ditadura militar, ainda atuante, mostra sinais de esgotamento. Em um teatro/cabaré, localizado na periferia entre duas cidades do Nordeste do Brasil, um grupo de artistas provoca o poder e a moral estabelecida com seus espetáculos e interferências públicas. Liderado por Clécio Wanderley, a trupe conhecida como Chão de Estrelas, juntamente com intelectuais e artistas, além de seu tradicional público de homossexuais, ensaiam resistência política a partir do deboche e da anarquia.

A vida de Clécio muda ao conhecer Fininha, apelido do soldado Arlindo Araújo, 18 anos: um garoto do interior que presta serviço militar na capital. É esse encontro que estabelece a transformação de nosso filme para os dois universos. A aproximação cria uma marca que nos lança no futuro, como tatuagem: signo que carregamos junto com nossa história.

Videos

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Equipe e Elenco

Irandhir Santos

como Clécio

Jesuíta Barbosa

como Fininha

Rodrigo García

como Paulete

Sílvio Restiffe

como Professor Joubert

Sylvia Prado

como Deusa

Ariclenes Barroso

como Soldado Gusmão

CHÃO DE ESTRELAS

Nash Laila

Arthur Canavarro

Clébia Souza

Erivaldo Oliveira

Mariah Texeira

Diego Salvador

Everton Gomes

Rafael Guedes

Jennyfer Caldas

Iara Campos

Roteiro e Direção: Hilton Lacerda

Produção: João Vieira Jr., Chico Ribeiro e Ofir Figueiredo

Produção Executiva: Nara Aragão

Direção de Produção: Dedete Parente

Direção de Fotografia: Ivo Lopes Araújo

Montagem: Mair Tavares

Direção de Arte: Renata Pinheiro

Diretor Assistente: Marcelo Caetano

Figurino: Chris Garrido

Maquiagem: Donna Meirelles

Som Direto: Danilo Carvalho

Edição de Som: Waldir Xavier

Mixagem: Ricardo Cutz

Trilha Original: DJ Dolores

Produtora Associada: Malu Viana Batista

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Biografia do Diretor

Nascido na cidade do Recife, Nordeste do Brasil, Hilton Lacerda se destacou pelos roteiros de filmes como AMARELO MANGA (2002, direção de Cláudio Assis), FILMEFOBIA (2008, direção de Kiko Goifman), A FESTA DA MENINA MORTA (2008, direção de Matheus Nastchergale), FEBRE DO RATO (2011, direção de Cláudio Assis), ÁRIDO MOVIE (2006, direção de Lírio Ferreira), entre outros. Todos exibidos com destaque em festivais nacionais e internacionais de prestígio como Brasília, Gramado, Festival do Rio, Mostra Internacional de São Paulo, Berlim, Locarno, Roterdã, Havana, Bafici, Cannes etc. Dirigiu o documentário CARTOLA – MÚSICA PARA OS OLHOS (2007, parceria com Lírio Ferreira). Com TATUAGEM assina sua primeira ficção como diretor.


Foto de: Fábio Nascimento para a Revista Aurora / Diário de Pernambuco

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Produtor

“A minha história com o Tatuagem é antiga. Conheço o Hilton desde a década de 1980, na época da faculdade. Acompanhamos o desenvolvimento de nossas trajetórias no cinema com admiração pelo trabalho um do outro. Em 2006 trabalhamos juntos no longa-metragem Baixio das Bestas, dirigido por Cláudio Assis. Eu era o produtor e ele o roteirista. Como eu sabia que Hilton dirigia, lembrava de seus curtas anteriores, comecei a insistir: ‘Por que você não dirige um longa?’. Ele pensou na possibilidade e disse que estava trabalhando numa história que mexia muito com ele. Então em 2008 apresentou o primeiro tratamento de roteiro de Tatuagem. No ano seguinte a REC preparou o projeto e começou a trabalhar no filme. Foi muito importante ter feito essa obra. Ela representa a consolidação de um catálogo diversificado. Tatuagem é o oitavo longa-metragem de nossa produtora. Nos orgulhamos muito por ter contribuído com a expressão e reflexão desses artistas. E se, nós da produção, por um lado, temos que levar em conta o valor e a trajetória artística das obras, por outro precisamos pensar em sua viabilidade. E a construção do Tatuagem passa por uma estratégia que envolve a captação de recursos através do Funcultura, que nos deu suporte para apresentar o projeto em outros editais. Destaco a presença de dois: o da Petrobras, através do Petrobras Cultural 2010/2011, e o da Eletrobras/ Chesf. Lembrando que no nascedouro disso tudo tem ainda o apoio do Hubert Bals Fund, cujo prêmio de desenvolvimento de roteiro foi a nossa primeira conquista. Além disso tivemos que contar com uma série de apoios institucionais para poder propiciar a liberdade criativa necessária a Hilton e à sua equipe.”

img-contact

Assessoria de Imprensa - F&M Procultura

+55 11 3263-0197

Rua Augusta, 1470 - 1o andar

01304 001 São Paulo / SP

Carolina Moraes / +55 11 9 7669-3437

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Distribuidora - Imovision

+55 11 3294-0720

Rua Tumiarú, 138, Vila Mariana

04008-050 São Paulo / SP

Jean Thomas / +55 11 98158-6222

jeanthomas@imovision.com.br

http://www.imovision.com.br

Empresa Produtora - REC Produtores Associados

+55 81 3073-1650

Rua João Ivo da Silva, 249, Madalena

50720 100 Recife / PE

João Vieira Jr. / +55 81 9635-9290

joao@recprodutores.com.br

Nara Aragão / +55 81 8846-6628

nara@recprodutores.com.br

http://www.recprodutores.com.br

Fotos de Still: Flávio Gusmão

img-patrocinadores Rec Produtores Associados Petrobras Chesf Ancine Fundarpe Polo de Imagem Estúdios Quanta Imovision Hubert Bals Fund

Entrevista
Hilton Lacerda, Direção e Roteiro

Tatuagem

Como a história do Vivencial Diversiones, grupo anarco/teatral referencial na elaboração do roteiro influenciou a criação do grupo Chão de Estrelas?

O Vivencial Diversiones, uma pequena e periférica casa de espetáculos entre as cidades do Recife e Olinda, que teve entre meados e fim dos anos setenta seu auge, é um referencial de minhas propostas de leitura do mundo a partir da periferia dos fatos. E ali existiam todos os elementos que me interessavam: certa anarquia, conflito de liderança, a construção da liberdade. E, principalmente, uma reflexão bastante apaixonada sobre arte e comportamento. Uma conversa muito estreita entre o luxo possível e a pobreza palpável. E tudo isso muito pouco elaborado, com uma ingenuidade bastante corajosa.

A minha relação com o Vivencial foi indireta. Mais afetiva que prática. Conheci - e conheço - várias pessoas que fizeram parte daquele universo. Quando chegou o momento de frequentá-lo, o mundo já havia dado mais uma volta – no início dos anos oitenta. Ficaram os mitos, as lendas, a história. E, principalmente, a sensação de que, a partir de atitudes periféricas podemos atingir o núcleo dos acontecimentos e influenciar o mundo à nossa volta.

João Silvério Trevisan foi um personagem bastante importante nesse processo. Ele tinha,apartirdeseuDevassosnoParaíso,me chamado a atenção para possíveis leituras daquele espaço – isso no lançamento da primeira edição do livro, em 1983, acredito. Depois de muitos anos, terminamos por ser vizinhos na cidade de São Paulo. E durante uma conversa em minha casa, ele me perguntou: por que não um filme sobre o Vivencial? Já estava trabalhando em outro roteiro, a partir de outra perspectiva. Naquele momento comecei a amadurecer o ambiente e suas relações com temas que me interessam e que podem trazer à superfície possibilidades de um novo olhar. O Chão de Estrelas, espaço recriado para o Tatuagem, é a liberdade de reinventar esse momento; não prestando contas com o passado, ou se inspirando diretamente em seus personagens. O que nos interessava – e que foi realizado – foi tomar emprestado o espírito de um tempo e jogá-lo para outro. Recriar um movimento por trás das aparências da lembrança. De certa maneira, modelar um momento para refletir sobre o presente e suas possibilidades.

No núcleo do Chão de Estrelas temos a impressão que as cenas acontecem e a câmera está simplesmente roubando aqueles momentos. Como foi o processo de construção das cenas do teatro?

Fizemos um trabalho de preparação muito intenso e duradouro (seis semanas), e que tinha Amanda Gabriel no comando. E fazia parte desse contexto localizar os personagens dentro do elenco que tínhamos selecionando. Esse mesmo elenco tinha a incumbência de montar os textos teatrais que estavam no roteiro. Esses textos se dividiam entre o espetáculo que eles apresentam e a preparação de um novo espetáculo. O primeiro de esquetes, o segundo com intenções mais teatrais. E desde esse momento já estávamos trabalhando com um conceito muito claro para a câmera compreender o movimento das encenações e adequá-las ao espaço do Chão de Estrelas.

Uma coisa que tinha que ficar clara para o elenco era os dois níveis de interpretação que pretendíamos: o excessivo das montagens teatrais, e uma outra mais coloquial. E entre essas duas interpretações uma nuance bastante tênue que é a invasão de uma interpretação por outra. Ou seja: uma fusão que escapava do palco para o cotidiano, assim como seu inverso.

A fotografia tem um conceito bem definido. Assim como a arte. Elas cumprem um papel narrativo, mas parecem privilegiar a transmissão de um estado de espírito, de experiências sensoriais. Como vocês chegaram aos conceitos estéticos que vemos no filme?

Existe no Tatuagem, e isso vem desde sua gestação, a busca de revelar um ambiente, mas que esse ambiente não estivesse estigmatizado em seu tempo. Não queríamos estar escravizados a uma época. O conceito geral era a necessidade que as coisas mostradas respirassem atitude, revelassem uma intenção. E que nos dessem uma noção bastante tátil daquele universo. A arte de Renata Pinheiro e a fotografia de Ivo Lopes Araújo foram muito além da intenção original. Com a primeira já tenho uma cumplicidade de trabalho em cinco longas juntos. Acredito que quando você cria um ambiente, as coisas acontecem ali. E em Tatuagem o ambiente é um dos personagens principais. Já com Ivo esse foi o meu primeiro trabalho, mas uma das melhores uniões em matéria de olhar. Ele é exato sem ser careta. Consegue ter liberdade e refinamento ao mesmo tempo.

Tatuagem conta uma história de amor entre dois homens. O filme não parece procurar levantar bandeiras, se as ergue é justamente pela franqueza do olhar que lança sobre os desejos e a expressão deles. Em algum momento, durante o processo criativo, você levou em consideração esse potencial social da obra na quebra de estigmas e preconceitos?

Do meu ponto de vista, uma história de amor entre dois homens nada tem de escandaloso ou anormal. No caso do Tatuagem, o fato traz um elemento essencial para o desenvolvimento da narrativa, além de ser bastante elucidativa em relação a época. Pontua como reflexão contemporânea sobre estigmas e preconceitos que voltaram a emergir, como velhos fantasmas. E dentro dessa perspectiva a relação amorosa é um gatilho de debate, sim. Para o preconceito o filme pode ser apenas provocador. Mas a provocação maior do nosso discurso é a construção da liberdade.

Qual foi o maior desafio em dirigir o primeiro longa-metragem de ficção?

O maior desafio de fazer o Tatuagem, depois de ter escrito vários roteiros, dirigido curtas e muitos documentários para TV, foi a possibilidade levar adiante ideias estéticas e narrativas para um projeto do qual eu sou, ao mesmo tempo, responsável e cúmplice. Ter a chance criativa de lidar com soluções que dessem conta de minhas ansiedades. O desafio de estabelecer um olhar específico e ensaiar um modo de produção que respirasse essa ideia.

O quanto de você está presente no filme?

Eu brinco que passei 48 anos escrevendo Tatuagem. Eu tinha 13 anos em 1978 – ano em o filme se passa – justamente a idade do Tuca, filho de Clécio. Época em que eu comecei a viver mais ativamente, com um pouco mais de consciência. E essas vozes de grupos de arte periféricos eu vi muito durante toda a minha adolescência. Mas não me enxergo em um personagem só, mas na lógica de um olhar artístico que refina o que está na periferia. E isso passa por vários personagens do Tatuagem: uma vontade de criar não apenas por acreditar na arte, mas por necessidade. E fazê-lo de uma maneira grandiosa. Então já não precisamos mais dar conta de uma verdade, mas de um olhar, de uma narrativa.

Entrevista
Irandhir Santos (Clécio)

Tatuagem

Em situações da vida real Clécio é bastante performático e no palco ele é muito verdadeiro. Como se desenrolou essa construção de vários tons num mesmo personagem?

Hilton foi muito feliz na escolha de elenco: selecionou pessoas dispostas a topar um processo de convivência. E a produção acertou ao colocar todo mundo muito próximo, facilitando o convívio diário. Esses dois dados fizeram com que a gente conseguisse germinar um afeto de quem se conhece há muito tempo em apenas dois meses. Esse grupo representa para Clécio diversas coisas: família, amores, trabalho. Ele vive um conflito de vários papéis ali dentro. O trabalho foi identificar o momento de cada um desses papéis na relação com os outros personagens. Assim, no processo, descobrimos um leque de facetas.

Quais os desafios de se fazer teatro para cinema?

Quando eu recebi o convite para o Tatuagem a coisa que mais me tocou, fora a oportunidade de trabalhar com Hilton, foi a possibilidade de saciar minha vontade de fazer teatro. Estou há sete anos longe dos palcos. Por isso, na verdade, muitas vezes tive que controlar essa vontade de estar no palco e encontrar a medida do teatro no cinema. Nos ensaios era mais fácil, tínhamos uma liberdade maior. E no set tinha a máquina, a câmera, mas também tinha platéia, pessoas que estavam vendo as cenas pela primeira vez. Quando eu estou atuando no cinema me sinto numa briga: procuro vencer a máquina para chegar na platéia, os espectadores. No Chão de Estrelas era engraçado, era como se a platéia tivesse duas dimensões: a que está além da câmera e a outra, presente no set de filmagem.

É a terceira vez que você interpreta um personagem escrito por Hilton Lacerda, mas só agora foi dirigido por ele. Como foi essa parceria?

Tenho uma identificação muito rápida com tudo o que Hilton faz. Me sinto presente e representado em suas obras. Talvez por conta da pincelada de experiências pessoais que ele dá e que de alguma forma se identificam com as minhas próprias experiências. Por conta dos outros trabalhos, no Tatuagem desde o início já estávamos juntos, já existia um aval, uma resposta mais direta. Hilton é muito sensível, atencioso e generoso. Além disso, ele tem um peso muito grande na minha trajetória. Quando assisti ao Texas Hotel, curta-metragem dirigido por Cláudio Assis com roteiro de Hilton, foi a primeira vez que vi brotar o meu sotaque no filme e fiquei entusiasmado com a possibilidade de cinema em Recife. Quatro anos depois, meu primeiro personagem realmente delineado no cinema, havia sido escrito por Hilton (Maninho, de Baixio das Bestas). E o meu primeiro protagonista no cinema, também veio num roteiro dele (Zizo, de Febre do rato, dirigido por Cláudio Assis). Minha aproximação do cinema foi pontuada por Hilton.

Entrevista
Jesuíta Barbosa (Fininha)

Tatuagem

Fininha (Arlindo) joga, ao mesmo tempo, no lado da repressão e do desbunde. Como foram trabalhadas as contradições internas para que ele alcançasse a coerência que vemos na tela?

É época de conflitos psicológicos quando a gente começa a se perceber na vida adulta. Arlindo é um homem em formação, mas já muito maduro no caráter. Vivi um rapaz disposto a conhecer o mundo, nos diversos sentidos da palavra (não muito diferente de mim). A paixão move o coração de Fininha, mas ele sabe fazer o mais difícil: usar a cabeça, ter bom senso. Alguns me falaram que ele é dissimulado. Nunca entendi essa palavra.

Como foi construída a intimidade que percebemos entre atores, personagens e câmera?

Havia ensaios periódicos onde a gente celebrava a construção das cenas, sem nenhuma amarra no texto. Tive muita liberdade pra criar diálogos, propor perspectivas. Amanda Gabriel foi incentivo indispensável. Nós moramos em Olinda, que se tornou um lugar de convivência. Subir e descer ladeira, comer tapioca, fazer uma visita - vivemos a história todos os dias. Essa história se tornou real enquanto vivida.

Trabalhar com um diretor que também é o roteirista faz diferença na elaboração das cenas?

Conheci um pensador que colaborou o tempo inteiro na construção de tudo que é o filme. Hilton é o filme. Quando dá dicas de texto, de movimentação, ou quando só deixa acontecer. Bom ouvir dele a situação de cada cena antes de começar a rodar, ou escutar uma música baixinho, no ouvido, cantada por ele (era quando tudo mais fazia sentido).

Depoimentos
IVO LOPES ARAÚJO

Tatuagem

“Para as escolhas da fotografia, pensamos que o interessante seria que o elenco estivesse o mais livre possível. Essa ideia veio de dentro da própria obra. A liberdade está no tema, na época, nas inquietações dos personagens e nas relações entre eles. Acho que essa ânsia por liberdade tomou toda a equipe, que se jogou de cabeça na criação do filme. A organicidade da câmera com os atores e com os espaços e objetos cuidadosamente elaborados pela direção de arte se devem às muitas conversas e encontros que tivemos na valiosa pré- produção e ao desejo real de troca entre os membros da equipe. O filme foi organizado por Hilton e João Jr de forma que tudo se encaixasse e todos pudessem emprestar da maneira mais fluida o seu talento para a construção de uma obra verdadeira e forte. Me sinto totalmente parte daquela trupe de atores e grito com eles pela liberdade, pelo amor e por todas as contradições que vêm junto. Tatuagem não é só um filme. Foi um rito de passagem, uma experiência coletiva intensa, prazerosa e muito emocionante.”

Depoimentos
Renata Pinheiro

Tatuagem

“A história é contextualizada em um Brasil que vivia a ditadura, um país moralista e rígido. Contar este momento sob a perspectiva de artistas subversivos foi a chave para encontrar o mundo que iríamos criar. O Chão de Estrelas era algo vivo, colorido e acolhedor. Um núcleo que irradiava uma energia de liberdade, de vontade de mudar. Fiz a escolha por construir o teatro nas ruínas do Nascedouro de Peixinhos (antigo matadouro) porque ali as cores deste núcleo se tornariam mais fortes, contrastadas em meio às destruições (que para mim simbolizavam o sistema). Durante o processo de produção não havia uma rigidez em remontar uma época, mas uma necessidade de transportar os atores e o público para um lugar de sentimento. Quando entrávamos no Chão de estrelas não estávamos entrando em um museu, em um arquivo morto. Mais parecia um lugar possível e um tanto deslocado dos dias de hoje. Não cheguei a ter um cuidado vigilante com nada que utilizamos, era preciso transmitir um estado de espírito, algo maior, mais sensorial. Foi um trabalho muito prazeroso: carne, choro, pele, nádegas, cheiro de café, mofo, sol e suor.”

Depoimentos
MAIR TAVARES

Tatuagem

“A montagem do filme precisava dar conta de personagens complexos. Além das histórias e narrativas de cada um, havia algo maior, o estado de espírito desses personagens que iria compor a atmosfera da obra. Nesse processo de construção, era importante identificar a forma que cada elemento do filme poderia colaborar para a construção desse estado de espírito, desde a fotografia filmada em mais de um formato, passando pela direção de arte e o próprio elenco.”

Depoimentos
RODRIGO GARCÍA

Tatuagem

Formado pela escola de atores do SESC de Recife e pela Universidade de Liverpool, na Inglaterra, Rodrigo García desenvolve sua carreira no meio cinematográfico. Além de Tatuagem, atuou em outros três longas- metragens, dois desses ainda em processo de finalização, e alguns curtas.

“Em Tatuagem tivemos uma junção de fatores que facilitaram o processo no qual, não só o elenco, mas também a equipe pôde mergulhar num mundo que não existia fora dali. Pela primeira vez tive a certeza de que aquilo era o que eu buscava como ator. A certeza de ter criado algo tão seguro, tão forte, como uma vida nova que me emocionava muito.”

Depoimentos
SÍLVIO RESTIFFE

Tatuagem

Sílvio Restiffe já interpretou personagens de Nelson Rodrigues, Tchekhov, Tenesse Williams e Lourenço Mutarelli nos palcos. Foi no teatro que começou a carreira artística, mas logo se inclinou para o audiovisual. Participou de quatro longas- metragens, além de outros tantos curtas e alguns trabalhos para televisão.

Tatuagem me fez muito refletir sobre meus ‘porquês’ e minhas ‘origens’ no fazer artístico. Joubert, apesar de ser abertamente inspirado em Jomard Muniz de Britto, muitas vezes me vinha como um professor de filosofia que tive no colégio e a minha primeira experiência teatral, como força virginal amadora: uma potência que eclode com o Vivencial Diversiones, lindamente retratado pelo Chão de Estrelas.”

Depoimentos
SYLVIA PRADO

Tatuagem

Sylvia Prado pensou em ser jornalista, mas decidiu ser atriz. Ao invés da USP, entrou no Indac, escola paulista de atores. Ao assistir aos ensaios de Cacilda!, do Teatro Oficina, resolveu fazer parte da trupe. Desde então integra o grupo de José Celso Martinez Correia e já interpretou textos como Boca de Ouro, de Nelson Rodrigues, O idiota, de Dostoiévski, e Os sertões, de Euclides da Cunha.

“Deusa foi construída a partir das coisas que acredito na vida. A alma veio antes da forma: alguma coisa entre eu ela, entre minha garra na vida e a garra dela, entre minhas descrenças e as descrenças dela. As coisas foram se estruturando dentro de um amadorismo muito grande, digo amadorismo no sentido amoroso da palavra, na entrega a esta arte misteriosa, Cinema, que exige do ator uma consciência absoluta, quase cronometrada de seus estados.”

Depoimentos
ARICLENES BARROSO

Tatuagem

Aos nove anos de idade, Ariclenes Barroso já fazia parte do elenco do Teatro Oficina, onde participou da encenação de textos como Os sertões, Taniko, As bacantes, O banquete, Vento forte para papagaio subir e Os bandidos. Além de outras experiências no palco, carrega no currículo participação em longas-metragens como Luz nas Trevas, dirigido por Helena Ignez e Ícaro C. Martins, e Aspirantes, de Ives Rosenfeld.

“Alguns anos antes de começar a filmar, Hilton já havia me falado sobre o filme. Quando recebi o roteiro e conheci o Soldado Gusmão me dei muito bem com ele. Os personagens de Hilton falam por si só na obra.”

Currículos
REC PRODUTORES Associados

Tatuagem

A empresa brasileira REC Produtores Associados ficou conhecida com filmes como Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes (Prêmio do Ministério da Educação no Festival de Cannes e mais de 50 prêmios no mundo todo), KFZ-1348, de Gabriel Mascaro e Marcelo Pedroso, Viajo porque preciso, volto porque te amo, de Marcelo Gomes e Karim Aïnouz, lançado em 2010 no Festival de Veneza e Era uma vez eu, Verônica, de Marcelo Gomes, lançado no Toronto International Film Festival, em 2012. Co-produziu Boa sorte, meu amor, de Daniel Aragão (Festival de Locarno), e Baixio das Bestas, de Cláudio Assis (International Film Festival Rotterdam). Atualmente, a REC finaliza O Homem das Multidões, de Cao Guimarães e Marcelo Gomes.

Currículos
IMOVISION Distribuidora

Tatuagem

Distribuidora presente no Brasil há 24 anos, a Imovision vem se consolidando como uma das maiores incentivadoras do melhor cinema. A empresa trabalha com produções independentes nacionais e internacionais, que alcançaram consagração no Brasil e no exterior. Os filmes da Imovision são amplamente reconhecidos no mercado pelo público e pela crítica, recebendo premiações nos mais prestigiados festivais de cinema: Veneza, Cannes, Berlim, Moscou, San Sebastian, Círculo dos Críticos de Nova Iorque, Toronto etc.